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Membro do COI põe maio como data limite para cancelar Olimpíada

Um importante integrante do COI (Comitê Olímpico Internacional) disse nesta terça-feira (25) que, caso seja comprovado que a epidemia de coronavírus se tornou perigosa demais, é mais provável que a Olimpíada deste ano seja cancelada do que transferida de local ou adiada.

“Vai chegar o momento em que as pessoas vão ter de perguntar: ‘essa situação está sob controle o suficiente e nós podemos ficar confiantes sobre ir a Tóquio?'”, questionou o canadense Dick Pound, membro do COI desde 1978, o que o torna o mais antigo ainda em atividade no comitê.

Para ele, o mês de maio será a data limite para uma definição a respeito da manutenção dos Jogos.

“Várias coisas têm de começar a acontecer [nessa época]. Você tem de começar a elevar a segurança, a comida, a Vila Olímpica, os hotéis. As pessoas de mídia deverão estar lá construindo seus estúdios. Se os Jogos não puderem ir adiante como planejado, provavelmente deveremos olhar para um possível cancelamento”, completou ele, em entrevista à Associated Press.

Nesta semana, Kuwait, Bahrein, Afeganistão, Iraque e Omã registraram seus primeiros infectados.

Torneios qualificatórios  para a Olimpíada já tiveram de ser remarcados, como o de futebol feminino, levado de Wuhan, na China, para a Austrália. Mesmo com a transferência, as datas tiveram de mudar, porque a seleção chinesa foi obrigada a ficar um período em quarentena.

A Federação Internacional de Basquete mudou o Pré-Olímpico feminino de Soshan, na China, para Belgrado, na Sérvia, e o Mundial indoor de atletismo de Nanjing foi transferido para 2021. Todos os jogos de futebol no país asiático estão suspensos.

No Japão, o treinamento dos voluntários que vão trabalhar nos Jogos foi adiado por tempo indeterminado.

Pound pondera que, pelas informações disponíveis por enquanto, quem deseja ir para Tóquio deve manter os planos. A Olimpíada receberá 11 mil atletas para o período de 24 de julho a 9 de agosto. Outros 4.400 devem estar na Paraolímpiada, de 25 de agosto a 6 de setembro.

Em mensagem enviada à agência de notícias AFP, a organização dos Jogos afirma que o cancelamento ou adiamento jamais esteve em pauta e que a programação continua como prevista.

“A organização da Tóquio-2020 seguirá colaborando com o Comitê Olímpico Internacional e com órgãos relevantes em relação a quaisquer medidas preventivas que possam ser necessárias até lá. A prevenção de doenças contagiosas constitui uma importante parte no nosso plano de sediar os Jogos Olímpicos com total segurança”, diz o texto da assessoria do evento.

Visão aérea do novo estádio de Tóquio, que será a principal arena da Olimpíada deste anoVisão aérea do novo estádio de Tóquio, que será a principal arena da Olimpíada deste ano – Charly Triballeau-20.fev.20/AFP

A versão moderna dos Jogos Olímpicos, iniciada em 1896, foi cancelada apenas em 1916, 1940 e 1944, por causa da 1ª e da 2ª Guerras Mundiais.

Para Pound, o futuro da Olimpíada em Tóquio não depende do COI, e sim do desenvolvimento ou não do coronavírus. “Se virar algo semelhante à gripe espanhola na questão da letalidade, então todos terão de tomar seus remédios”, completa, se referindo a medidas que podem levar ao cancelamento dos Jogos.

A gripe espanhola foi uma pandemia que, em 1918 e 1919, matou entre 50 e 100 milhões de pessoas ao redor do mundo.

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